Publicado por: talecosa em: 9setembro/2009
Era setembro de 1991, no auge dos meus 11 anos eu estudava em uma escola particular do interior, foi um período muito curto em que meus pais tiveram condições de pagar uma escola particular, mesmo com bolsa, que só veio por eu competir pelo atletismo da escola. Naquela época (falando assim parece que foi em 1914), não tinha essa conversa de quem marchar no 7 de setembro ganhava ponto na média ou coisa parecida, a gente cantava, ensaiava e brigava pra tocar na banda, todo mundo participava e pronto! Como era uma data comemorativa e eu estava iniciando na escola minha mãe saiu pra comprar um presente.
No amanhecer do dia 7 eu já estava vestido com o uniforme da escola, todo vermelho quando ela abriu a caixa e lá estava ele: um tênis novo – VERDE Amazônia (existe essa cor?), minha mãe sempre teve um gosto duvidoso, mas mãe é mãe, não se recusa presente, coloquei o tênis e fui em direção da concentração da escola antes do desfile, bonito, todos da escola de vermelho e eu fui chegando perto da minha ala, do atletismo, mas nem foi preciso chegar muito perto pra que o primeiro grito ecoasse – ARARA, ARARA. Sim, eles viram meu tênis verde antes mesmo que eu pudesse vê-los direito, criança é cruel, marchei e deixei de usar o tênis, mas demorou uns 2 meses de fiasco até eles esquecerem o maldito tênis verde.
Mas também era setembro e a faixa “Manhas de Setembro” era parte do penúltimo disco da Vanusa, que já estava na mídia desde 1966, não seria um prenúncio de que chegara o momento ideal de encerrar a carreira, porque se expor ao ridículo, será que alguém sabe o momento de parar? Bom, se eu sei o momento? Ainda não sei, mas o tênis verde eu nunca mais usei. A gente se fala.